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Câncer de mama e Síndrome Metabólica

31/08/2013

Dois temas dos mais estudados em todo mundo hoje em dia, são o câncer de mama e síndrome metabólica.Em nossa linha de pesquisa no Instituto Nacional de Saúde da Mulher, Criança e Adolescente FERNANDES FIGUEIRA- FIOCRUZ, recentemente concluímos um estudo de doutorado da Dra. Viviane Esteves, co-orientada pelo mastologista  Prof.Dr. Roberto Vieira, sobre a relação de causa e efeito entre a síndrome metabólica e o câncer de mama. Este é uma doença que tem várias causas envolvidas, e aquela cresce a cada dia com aumento da prevalência de obesidade, hipertensão e diabetes no mundo. Ambas , matam! Saber atuar na prevenção das mesmas é assunto de interesse de todos e de saúde pública.

Abaixo o resumo desta tese de doutorado.

O câncer de mama tem sido motivo de constante e crescente preocupação, visto que, no mundo, é o segundo tipo de câncer mais frequente e o primeiro entre as mulheres. A síndrome metabólica é definida por vários distúrbios, dentre eles a resistência insulínica, a dislipidemia e a hipertensão arterial. Recentemente, estudos apontaram para uma associação entre essa síndrome e o aumento de risco para desenvolver câncer de mama. O objetivo geral deste estudo foi identificar a relação entre a síndrome metabólica e o câncer de mama e seus objetivos específicos foram pesquisar o papel da síndrome metabólica na gênese do câncer de mama, pesquisar o papel da história familiar, história reprodutiva, tabagismo, alcoolismo, exposições profissionais e outros fatores de risco do câncer de mama e identificar entre os diferentes marcadores de risco da síndrome metabólica aqueles associados ao risco de desenvolver câncer de mama, que podem ser alvo de políticas de prevenção primária. Para tal, foi realizado um estudo epidemiológico do tipo caso-controle de base hospitalar, com casos incidentes de câncer de mama, em mulheres atendidas nos ambulatórios de mastologia e ginecologia do Instituto Fernandes Figueira (IFF/FIOCRUZ), no Rio de Janeiro, no período de abril de 2011 a fevereiro de 2013. Participaram do estudo 218 pacientes, entre 45 e 69 anos, 68 casos e 150 controles. A diferença entre as proporções da distribuição de frequências das variáveis de interesse em casos e controles foi calculada utilizando o teste de qui-quadrado e teste exato de Fisher (two-sided). Odds Ratio (OR) com intervalo de confiança de 95% (IC 95%) foi a medida utilizada para avaliar a magnitude de associação. A Síndrome metabólica pode estar associada ao aumento do risco câncer de mama, porém não houve significância estatística, enquanto que a atividade física se apresentou como fator de proteção. Com relação aos componentes da síndrome metabólica, os níveis pressóricos e o aumento da glicemia se apresentaram como fatores de risco para o desenvolvimento de câncer. A resistência à insulina mostrou-se um fator de risco importante e a leptina um fator protetor. Vida saudável, juntamente com a oferta da prevenção secundária do câncer de mama, evitaria muitos adoecimentos e mortes decorrentes de diagnóstico tardio do câncer de mama.

Palavras-Chave: Síndrome X metabólica, câncer de mama, fatores de risco, climatério

 

Lizanka Marinheiro

Prof. Pós-Graduação em Saúde da Mulher e da Criança – IFF- FIOCRUZ

Prof. Pós- graduação em Medicina Clínica Aplicada à Saúde da Mulher e da Criança

Chefe do Setor de endocrinologia -IFF-FIOCRUZ

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