• JEJUM INTERMITENTE – Parte I

    19 de novembro, 2017

    Lizanka Marinheiro - Prevenção Saude da mulherBom dia;

    Vamos combinar…

    O maior e primeiro prazer que sentimos ao nascer é comer.

    Após aquele contato inicial com o mundo frio ao sairmos  da barriga quentinha materna durante nove meses, o susto com a luz, o ar, o frio e o som, vem o abraço aconchegante e o peito da mãe com a boca do bebê faminto e assustado.

    E com esse peito: a comida.

    Isso, quando tudo dá certo, claro, não vou me deter aqui nas inúmeras variáveis de gestações complicadas, prematuras e/ou indesejadas,  partos e filhos feitos desta ou daquela maneira, péssimas condições ou não de saúde, pois o tema em foco será o… jejum. E que tal, ao acordarmos, despois de uma noite de sono… não tomarmos café da manhã, e só irmos almoçar às 14 hs?

    Logo comer, é um prazer primário do ser humano. Assim como o sexo, entre outros necessários ao ser humano para o seu equilíbrio físico e mental, e seu desenvolvimento desde a infância, passando pela adolescência e chegando ao tão sonhado equilíbrio na vida adulta e serenidade na maturidade, nem sempre a alimentação ocorre de forma tão tranquila, equilibrada, e linear assim para cada indivíduo em particular.

    O que vemos além de distúrbios mais sérios e graves, cada vez mais comuns como anorexia, bulimia entre outros que afetam principalmente os jovens e adolescentes, inúmeros quadros de compulsão alimentar que acometem não só jovens como adultos, e que aliados a outros como, estilo de vida, fatores genéticos, ambientais , sedentarismo, stress, violência , depressão, só para citar alguns, contribuem para tornar a obesidade uma epidemia mundial que afeta crianças e adultos no mundo inteiro, sendo hoje um problema de saúde pública.

     

    Por outro lado, temos uma verdadeira ditadura da beleza e do corpo perfeito desejado por todos, ou pelo menos por muitos, numa sociedade de consumo que cobra sucesso e produtividade como valor. Crianças tem agendas cheias, na maioria das vezes passam horas na internet e computador, não brincam, competem desde cedo entre si, em modelos escolares que por sua vez, as preparam para atender a um mercado futuro vigente. Os pais cobram e competem entre si, e não raro, o que vemos naquela apresentação de ballet de final do ano, é aquela criança mais gorda, que talvez nem goste de dançar ballet e que geralmente não dança na primeira fila, mas tem que revezar com as magrinhas, muitas vezes desengonçada, e sente-se talvez, um peixe fora da d’água ou um “Stich”,( já que adoro Disney rs)…

    E aí, chega a adolescência, e com toda a crise normal da idade e toda mudança hormonal, meninos e meninas famintos por tudo, geralmente engordam, ou ficam obesos, ou tem seus sérios problemas alimentares. E vem outros efeitos em cascata, bullying se é que já não vieram desde a infância e chegamos na vida adulta.

     

    A obesidade ou o sobrepeso, ou mesmo aqueles célebres 2, 3, ou 4 kg a mais que toda mulher magra quer emagrecer, estão bem na nossa frente.

    Desafio para toda uma equipe multidisciplinar, e que muitas vezes nossos pacientes querem um milagre. Emagrecer rápido. Muito rápido.

    E principalmente….quando vem chegando o verão, e aquele biquíni de lacinho está ali….piscando!!

    E é isso que quero falar. A dieta que promete emagrecer rápido.

    A dieta do jejum intermitente.

    Não costumo criticar nada sem primeiro tentar entender, principalmente, em se tratando de medicina baseada em evidências.  A internet tem um valor nos dias atuais maior que luz nos tempos passados, e como tudo na vida, depende do uso que se faça dela, e este tema vem trazendo inúmeras postagens das mais variadas mídias, profissionais  de forma bastante polêmica e correntes, resolvi estudar um pouco. 

    A informação em medicina , tem e deve ser propagada, principalmente para o público não especializado de forma responsável, justamente como um forma de prestação de serviço útil, e séria.

    Então, afinal, a dieta do jejum intermitente funciona? Tem respaldo científico?

    É sobre isso que vou falar no post que se segue.

     

    Lizanka Marinheiro

    Endocrinologista – PhD, Md

    Fiocruz.