Essa é uma dúvida muito comum entre pessoas que alcançam uma perda significativa de peso com medicamentos para obesidade: depois de atingir o objetivo, é possível reduzir a dose ou interromper o tratamento?
Um estudo recente publicado no The Lancet, o SURMOUNT-MAINTAIN, traz informações importantes sobre esse tema. Os resultados reforçam um conceito que vem sendo cada vez mais reconhecido pela medicina: a obesidade é uma doença crônica e a manutenção dos resultados faz parte do próprio tratamento.
Durante muito tempo, acreditou-se que o tratamento da obesidade terminava quando a pessoa emagrecia. Hoje sabemos que o organismo possui mecanismos biológicos que favorecem a recuperação do peso perdido, tornando a manutenção um dos maiores desafios após o emagrecimento.
O estudo avaliou indivíduos que já haviam perdido peso com tirzepatida e demonstrou que a continuidade do tratamento contribuiu para uma manutenção mais eficaz dos resultados alcançados. Isso sugere que a fase de manutenção não deve ser vista como algo separado, mas como uma continuação natural do cuidado com uma condição crônica.
No entanto, isso não significa que todas as pessoas devam seguir exatamente a mesma estratégia. A necessidade de manter, reduzir ou ajustar a dose depende de diversos fatores, incluindo histórico clínico, presença de outras doenças, resposta ao tratamento e objetivos individuais.
Por isso, decisões relacionadas à continuidade do tratamento devem sempre ser tomadas em conjunto com o médico, de forma personalizada e baseada em evidências científicas.
Mais do que apenas perder peso, o objetivo é promover saúde, qualidade de vida e resultados sustentáveis a longo prazo.
Referência: Aronne LJ et al. Tirzepatide for maintenance of bodyweight reduction in people with obesity in the USA (SURMOUNT-MAINTAIN): a multicentre, double-blind, randomised, placebo-controlled trial. The Lancet, 2026.





