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Menopausa e Qualidade da Dieta

24/11/2012

Menopausa e Qualidade da Dieta

 

O climatério é a fase da vida da mulher na qual ocorre a transição do período reprodutivo para o não reprodutivo, marcado por eventos importantes, como a menopausa que é a última menstruação.

A menopausa é frequentemente associada com o ganho de peso e uma mudança na distribuição de gordura corporal. Uma vez que a deficiência de estrogênio é estabelecida, um novo padrão de distribuição de gordura é observado. Há um aumento de gordura abdominal/visceral (obesidade andróide), contribuindo para o desenvolvimento de resistência à insulina, diabetes mellitus tipo 2 e dislipidemia, importantes marcadores de risco de doença cardiovascular que é a principal causa de morte entre as mulheres na pós-menopausa.

Além disso, fatores comportamentais como dieta, estilo de vida, sedentarismo, tabagismo e uso de álcool estão associados com o aparecimento e evolução da doença aterosclerótica

Com o objetivo de investigar a associação entre a qualidade da dieta e os indicadores de risco metabólicos em mulheres na pós-menopausa, Tardivo et al (2010) realizaram um estudo transversal em Botucatu/SP com 173 mulheres com idade entre 45-75 anos atendidas em um ambulatório público. O consumo alimentar foi avaliado por um Recordatório de 24 horas, utilizado para calcular o Índice de Qualidade da Dieta (> 80 pontos dieta “adequada”; entre 80-51 pontos dieta “precisa melhorar”, e <51 pontos dieta “inadequada”).

Os resultados mostraram que 3% tinham dieta de boa qualidade, 48,5% precisavam melhorar e 48,5% de tinham dieta de má qualidade. Além disso, 75% das mulheres tinham consumo elevado de lipídios, predominantemente gordura saturada e monoinsaturada; 40% tinham hipertensão arterial e 24% resistência à insulina (glicemia de jejum  ≥100mg/dl). O sobrepeso e a obesidade estavam presentes em 75,7%, sendo que 72,3% das mulheres apresentaram maior concentração de gordura na região abdominal. As concentrações plasmáticas de colesterol total (57,2%), LDL-colesterol (79,2%) e triglicerídeos (45,1%) foram maiores do que o recomendado, enquanto o HDL-colesterol foi abaixo do recomendado em 50,8%.

O estudo concluiu que entre as mulheres brasileiras na pós-menopausa que frequentam um ambulatório público, a dieta com necessidade de melhorar ou de má qualidade foi atribuída à baixa ingestão de grãos e a alta ingestão de gorduras saturadas, o que causou um impacto negativo sobre os indicadores de risco metabólicos, como a composição corporal e o perfil lipídico.

Portanto, o incentivo à alimentação saudável, combate ao sedentarismo e restrição ao tabagismo, possuem extrema importância em relação à promoção da saúde e a qualidade de vida no climatério.

 

Referência: Tardivo AP, Nahas-Neto J, Nahas EAP, Maest N, Rodrigues MAH, Orsatti FL. Associations between healthy eating patterns and indicators of metabolic risk in postmenopausal women. Nutrition Journal, 2010;9(64):1-9.

 

Danyelle de Almeida Ventura
Nutricionista
Mestranda do Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira – FIOCRUZ
E-mail: danyelleventura@gmail.com

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