Os análogos de GLP-1 (semaglutida) e os agonistas duplos GIP/GLP-1 (tirzepatida) tornaram-se centrais no manejo do peso e de condições metabólicas. Mas o que acontece quando o tratamento é interrompido é uma pergunta com resposta cientificamente bem documentada — e pouco discutida antes do início da terapia.
No estudo de extensão do STEP 1 (Wilding et al., Diabetes, Obesity and Metabolism, 2022), participantes que perderam 17,3% do peso corporal em 68 semanas de uso de semaglutida recuperaram, em média, dois terços dessa perda um ano após a suspensão — restando uma perda líquida final de apenas 5,6%.
O SURMOUNT-4 (Aronne et al., JAMA, 2023) trouxe resultado equivalente com a tirzepatida: participantes que suspenderam o tratamento após 36 semanas regrediram significativamente em 52 semanas, enquanto o grupo que manteve o uso continuou perdendo peso, chegando a 26% de perda total.
Esses dados confirmam um princípio central: os efeitos desses medicamentos dependem da presença contínua da substância no organismo. Eles regulam apetite e saciedade — não reprogramam permanentemente o metabolismo. Além disso, a perda de peso sob esse tipo de tratamento costuma incluir redução de massa magra, o que reforça a necessidade de acompanhamento nutricional e de treino de força durante todo o processo.
A pergunta central, portanto, não deveria ser “vou precisar usar para sempre?”, mas sim “qual é o plano de manutenção para quando eu parar?” — resposta que precisa ser construída como parte do protocolo desde o início, não como reflexão tardia.
Referências:
Wilding JPH, et al. Weight regain and cardiometabolic effects after withdrawal of semaglutide: The STEP 1 trial extension. Diabetes Obes Metab. 2022;24(8):1553-1564.
Aronne LJ, et al. Continued Treatment With Tirzepatide for Maintenance of Weight Reduction. JAMA. 2023;330(18):1631-1640.





