Será que o sucesso no tratamento da obesidade pode ser resumido ao peso perdido?

Durante muitos anos, o sucesso no tratamento da obesidade foi medido quase exclusivamente por um número: quantos quilos a pessoa perdeu. Embora a perda de peso seja um indicador importante, ela não conta toda a história.

A obesidade é uma doença crônica e complexa, que impacta diversos aspectos da saúde física, emocional e da qualidade de vida. Por isso, avaliar apenas o peso pode deixar de lado benefícios importantes que fazem diferença no dia a dia das pacientes.

Essa mudança de perspectiva foi tema de um importante consenso internacional, publicado na eClinicalMedicine, que reuniu 29 especialistas de 21 países para definir quais são os desfechos que realmente importam no tratamento da obesidade. Tive a honra de representar o Brasil nesse grupo de trabalho.

O consenso estabeleceu 20 desfechos centrados no paciente, organizados em áreas como saúde física, bem-estar, hábitos saudáveis, função física, efeitos adversos e saúde ginecológica e obstétrica. Além da perda de peso, passam a ser considerados indicadores como qualidade do sono, comportamento alimentar, exames laboratoriais, circunferência abdominal, função sexual, imagem corporal e qualidade de vida.

Na prática, isso significa que o tratamento deve ser avaliado de forma individualizada, considerando não apenas o que a balança mostra, mas também as mudanças que realmente impactam a saúde e o bem-estar de cada mulher.

A medicina baseada em evidências caminha justamente nessa direção: definir metas que façam sentido para a paciente e utilizar medidas capazes de refletir benefícios reais, duradouros e clinicamente relevantes.

Referência

Mekonnen et al. Development of a care patient-centred outcome set for adults living with obesity. eClinicalMedicine. 2025;87:103422. doi:10.1016/j.eclinm.2025.103422.